1.12.16



DEZEMBRO
                                                                     Iracema Crateús
Creio que dezembro seja o mês azul-verão,
Talvez pense nessa cor pelo céu-azul-sertão,
Período bastante saudosista e talvez meramente contemplativo,
Pois,  deixam-se os rastros natalinos povoarem festivos
Nas mentes infantis, juvenis e também de outros rincões.

E clamam em conjunto com os sinos a felicidade natalina, 
Mas também a alegria do menino nascente,
Ainda suplicam a paz viva, a paz celebrante, a paz contagiante.
E nesse clima cantarolam: "já nasceu o menino Deus", 
Lembre-se de que ele cresceu e assim espera atitudes humanitárias.

Como contemplar o mês doze com as doze dezembralizações:
Solidariedade, fraternidade, fidelidade, honestidade, amabilidade,
Responsabilidade, caridade, seriedade, humildade, igualdade,
Sem esquecer da lealdade e a liberdade para todos e com todos.

Dezembralizar  é voltar-se ao infinito interior sem constrangimento
E desenvolver as mais sutis contemplações sobre ações diárias,
E poder aspirar os aromas que se exalam das flores,
E ainda  expelir o doce através das palavras e dos afetos.







26.10.16






O depois
                                                         Iracema Crateús

Depois de muitos passos, nenhum destino,
Depois de  múltiplas perguntas, intempestivas respostas    
Depois de uma boa leitura, significativas concepções,
Depois de  violinos em movimentos, várias imaginações,
Depois  de ler  Assis, certeza de bons conhecimentos,
Depois de conhecer  Drummond, um imensidão versos,
Depois dos sonhos, a certeza nem sempre virá,
Depois de ofegantes olhares, uma infundada saudade.
Depois dos versos escritos, esvoaçantes estrofes são mimoseadas,
Pois, o depois é conjecturado para embelezar os elos vitais.   

30.9.16

Havia um lápis no meio do caminho
                                                              Iracema Crateús

No meio do caminho, tinha um lápis,
No meio da sala, tinha um lápis,
Mas, o lápis quer escrever uma palavra.
Tem um lápis no meio da vida,
No meio da vida, têm findáveis pensamentos,
No meio de um léxico, tem a pululância emotiva.

No meio do caminho, há vidas e poemas,
No meio do caminho, há passos e passantes,
No meio do caminho, há sons  e sonetos,
Mas, não havendo caminho, não haverá caminhante,
No meio do caminho, tem a ilação e o porvir.

No meio do caminho, tem esperança,
Tem no meio do caminho a petulância de um lápis,
Escreve que escreve e como escreve o não escrevível.
No meio do caminho, têm vários lápis e poucos escritos.
Tem no meio do caminho um lápis inebriando palavras.

No meio do caminho, têm palavras atônitas,
No meio do poema, têm léxicos ofegantes.
No meio da poesia, têm sentidos aliciantes,
Tudo isto tem no meio do poema e da vida.
No meio do poema tem um extremável lápis
Que grafa com lisura os trejeitos dessa comoção. 








Poesia 
                                Iracema Crateús

Se a poesia falasse,
E se ópera ela cantasse,
Se dela eu precisasse,
E com ela eu dançasse a valsa vianense.
Para as epopeias exaltarmos.

Pedir-lhe-ia que coloridas borboletas colhesse,
E na minha janela elas pousassem,
Para os meus dias enfeitarem,
E os meus sonhos matizarem.

Poetizar é humanizar as aliterações,
É rescindir a tristeza das palavras,
É soltar o sentimento dos verbos,
É desarmar os trocadilhos.
É destroçar as rimas sonoras.

Vai versos e vêm estrofes,
Vai tercetos, quartetos e quintilhas
Para os poemas completarem
E deles me encantarei,
E aos seus desvarios poéticos me entregarei.






MULHERES




                                                        
                                                                                 Iracema Crateús

Meninas- mulheres que entusiasticamente sonham.
Mulheres - meninas que se habilitam a amarem  infinitamente.
Elas se profissionalizam de sentimentos ovantes,
Todas falam, todas riem, todas cantam e se encantam
Com os elementos vitais que lhes são ofertadas diariamente.
Mas também amam, desamam e, reamam de formas intendentes.
Traçam metas surpreendentes para uma caminhada feliz conquistar.
Detêm instintos carismáticos para o mundo se harmonizar.

Esbanjam voluptuosas belezas
Que se antagonizam com as Ninfas medievais,
E ainda apresentam múltiplas habilidades, tais
Como os mais simplórios afagos, porém delirantes
Que brotam brilhos oculares, como lamparinas dos Pirilampos.











9.4.16



REDONDILHA DE ANIVERSÁRIO

Viver é preciso;
Rememorar também é preciso.
A maior solenidade da vida é o próprio dia.
É o dia do seu, do meu e do nosso aniversário,
Portanto, celebre, vibre!
Pois, viver é preciso!
É preciso aplaudir a natividade.
Laureia intensamente cada hora, cada dia, mês e ano vividos;
Trafegue garbosamente pelos becos da superação;
Cantarole suavemente as notas propiciadoras de felicidade;
Pois, há lantejoulas nos sonhos para lhe guarnecer de brilho.
Derrube as tristezas;
Afaste as decepções;
Erga os olhos e os faça sorrir;
Se alguma lágrima rolar, acaricie-a;
Faça os momentos diminutos
Os mais significativos da vida.
Respingue coragem e espontaneidade
Sem mutilar as estações primaveris de contentamentos.
Fantasie a luta sem descaracterizar os seus objetivos;
Deleite-se com as metáforas inseridas neste poema,
Pois fazem parte desta comemoração.
Construa sonhos com revestimentos palpáveis,
E reagradeça sempre a Deus por mais vida e mais anos,
Porque feliz estou, feliz sou, feliz serei e feliz permanecerei.
Iracema Crateús
(09.04)

13.5.15





O olhar 
A poesia existe no olhar,
A poesia existe no modo de olhar,
A poesia existe nos olhos de quem olha.
Portanto, existe poesia em todos olhares.
Existirá sempre um olhar em outro olhar.
Além da poesia que há nos olhares.
Há também poesia no modo de ver.
Reside poesia no entre olhar,
Reside poesia no contorno dos olhares. 
Reside poesia no brilho de olhos sonhadores.
Os olhos ofuscam os pensamentos,
Mas não eclipsa os seus objetivos latentes,
Nem anistia os mais secretos sonhos. 

 Iracema Crateús



25.1.15



Pessoas

Pessoas são produções divinais,
Nelas residem semelhanças corpóreas,
Talvez sejam aparentes as aparências,
Mas não deixam de ser instigantes e cabulantes
As parecenças reais de cada pessoa.

Tem gente, têm pessoas, 
Mas têm seres lindamente conquistáveis,
Têm criações que superaram os prognósticos de seus criadores.
Projetaram-se superiores aos desejos,
E surpreenderam-se a si mesmo.


Pessoas se melhoram a cada dia ou elevam os seus sonhos.
Pessoas riem cada vez mais ou olham cada vez menos para o outro.
Pessoas correm cada vez mais, mas esquecem dos seus sonhos.
Pessoas dançam mais do que deviam, pois choram menos que podiam.
Pessoas leem menos, mas precisam escrever mais e mais.

Pessoas precisam se escreverem para se inscreverem diante dos sonhos.
Pessoas só são pessoas se se bonificarem de virtudes.
Pessoas não podem deixarem de ser pessoas,
Pois pessoas só são pessoas se se melhorarem pelo melhor.
As pessoas só são pessoas se conseguirem ser significantes para os outros. 

Ei, pessoas! Pessoas de cá,
Pessoas de lá 
Pessoas de hoje e de amanhã,
Pessoas que melhoram outras pessoas,
Pois, façam de vocês as melhores dos melhores.

                                     Iracema Crateús













15.4.14

P  A  L A V R A
Quero uma palavra simples e casta,
Que a verdade dela se encante.
Quero uma palavra exuberante,
Que enalteça o sonho e os sonhadores.

Quero uma palavra esplendorosa,
Que possa ser usada com altivez e alegria.
Quero uma palavra sensível,
Para enviar otimismo aos leitores.

Quero uma palavra ostentadora,
Que possa promover uma reflexão.
Quero uma palavra benevolente,
Que alegre a todos.

Quero uma palavra utópica,
Mas que propague um rico realismo à vida.
Quero uma palavra afortunada,
Que enriqueça a todos com uma verde saúde.

Quero uma palavra autêntica e saltitante,
Que enobreça a felicidade.
Quero uma palavra hábil,
Que humanize os textos.

Quero uma palavra viva,
Que felicite paz a todos os poemas.
Quero uma palavra colorida,
Que enfeite e alegre estes versos.

Quero uma esquelética catacrese 
Pois, aos léxicos outros sentidos iremos inferir.                  
Quero uma palavra robusta e um verso ardente
Para este poema completar.



           Iracema Crateús