3.3.12

LEIA CLARICE LISPECTOR:  


Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. 
Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. 
Não esqueço nunca. 
Mas há poucas coisas de que eu me lembre. 

Clarice Lispector

17.12.11

Sonhos

Sonhos, constantes, alarmantes e importantes.
Fazem os dias serem efêmeros,
Transformam as noites em dias ensolarados,
Desafiam as pasmaceiras dos inocentes,
Mudam a rotação dos trópicos,
Mas acionam os ávidos olhares
Que permeiam as trilhas do dia a dia.
Estes e aqueles sonhos
Vagueiram dali para lá.
Aonde está localizado o lá dos meus sonhos?
E o aqui dos sonhos dos outros?
Transfiguram -se em piruetas e cambalhotas,
Porém disfarçados de duendes da felicidades.
Iracema

27.1.11

A efemeridade dos passos

Passa os passos de aprendizes a caminhantes;
Passa os passos dos caminhantes aventureiros;
Passa os passos de aprendizes a forasteiros;
Passa os passos de quaisquer passantes e caminhantes.

Como aprimorar as conquistas sem os passos?
Como vencer as barreiras sem dar os primeiros passos?
Como escalar os precipícios sem aumentar  os passos?
Como sair  do atoleiro sem cautelar os passos?
Como chegar sem iniciar os passos?

É como viver e não ter sonhos!
É como beber água sem ter sede!
É como ter olhos e não poder abri-los!
É não entoar a canção de ninar  pela  falta de voz!
É não contar as estrelas, porque falta a visão!

Os passos são cíclicos.
Moldam-se compulsivamente;
Alteram-se automaticamente;
Aumentam-se extensivamente;
Alargam-se alternadamente;
Buscando a cada passo a  pura  felicidade!

As passadas são como as esperanças!
Elas esverdeiam os nossos passos;
Elas voam e não pulam como as outras Esperanças;
Talvez quiséssemos voar  e não caminhar.
A passada constante desmaterializa a busca.
A busca e as passadas se unificam momentaneamente.

Porque para buscar o Sol
É preciso que as nuvens passem.
Para buscar a alegria
É preciso que a tristeza passe.
Para  ativar os  sonhos
É preciso não deixar o sono passar.  
Para ser feliz
É preciso  destruir as aflições. 
Para  passar o tempo
É apressar os pontos dos passos.

4.12.10

        As minhas palavras


Palavrear é bem mais que dizer  alguns  verbetes.
É tecer frases leves, porém verdadeiras,
É fazer anáforas para provocar sons,
Uma vez que a vida e as anáforas são reais.
É trazer sonhos para dentro dos versos,
Como se alguma vez os sonhos não moram ali.
É rabiscar e fazer a partir de cada palavra muitas metáforas.
É fazer uma construção elíptica de desejos.
É um sentimento prazeroso ter as palavras como companheiras,
Fazer delas parceiras e até confidentes.
Senti-las debatendo  dentro de mim.
Ora elas me agridem, ora, me acariciam.
Quantas vezes, faço- lhes carinhos,  dou-lhes afagos, 
Mas adormeço quando elas se multiplicam 
Como  onomatopéia que se  entrelaçam em aliterações sinestésicas.  Palavrear  é  catacresear  com as palavras,
Numa construtiva cumplicidade de elos paradoxais.  

13.9.10

Escrever


Escrevo porque me completo,
Escrevo porque sinto as palavras,
Escrevo porque conheço as palavras,
Escrevo porque admiro as palavras,
Escrevo porque as palavras são poéticas
Escrevo pela palavra e pela poesia.
            (Iracema Crateús)